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o que os antigos egípcios sabiam sobre dentes que a ciência redescobriu

O Que os Antigos Egípcios Sabiam Sobre Dentes que a Ciência Redescobriu?

Índice
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    Introdução

    Imagina-te a viver no Antigo Egipto. O sol escaldante, os hieróglifos a contar histórias e… uma dor de dentes insuportável. Sem dentistas modernos por perto, o que farias? A resposta pode surpreender-te: os egípcios já dominavam técnicas odontológicas muito antes da invenção da anestesia ou do fio dentário.

    Hoje, a arqueologia revela que algumas das práticas dentárias dos egípcios eram incrivelmente avançadas para a época. Aliás, algumas dessas abordagens estão a ser redescobertas e adaptadas pela ciência moderna. Vamos explorar o que os antigos sabiam sobre saúde oral e o que podemos aprender com eles.

    Primeiras Obturações da História

    Os egípcios já utilizavam obturações dentárias para tratar cáries e fraturas dentárias. O Papiro de Ebers (datado de cerca de 1550 a.C.), um dos mais antigos tratados médicos conhecidos, embora polémico, descreve misturas de resinas vegetais e minerais como a malaquite para tratar problemas dentários. Estudos publicados no Journal of Archaeological Science indicam que estas substâncias tinham propriedades antibacterianas, o que explica a sua eficácia.

    Análises forenses realizadas em múmias egípcias revelaram também a presença de fibras vegetais entre os dentes, sugerindo que usavam um método rudimentar semelhante ao fio dentário moderno (David & Tapp, 1997).

    O Primeiro Tratamento para Doenças Periodontais

    Acreditas que os egípcios já sofriam de gengivite? O Papiro de Edwin Smith, um texto médico egípcio do século XVII a.C., descreve tratamentos para inflamações gengivais que envolviam misturas à base de mirra e vinho. Estudos modernos, como os publicados na Journal of Ethnopharmacology, comprovam que a mirra tem propriedades anti-inflamatórias e antibacterianas, sendo ainda hoje utilizada em alguns elixires bucais.

    Além disso, os egípcios mastigavam folhas de salsa para refrescar o hálito, prática que antecipa o uso de agentes naturais na higiene oral (Nunn, 2002).

    Implantes Dentários no Antigo Egipto?

    Parece impossível, mas os egípcios já tentavam substituir dentes perdidos. O estudo de Zaki et al. (2014) analisou crânios egípcios e encontrou vestígios de dentes artificiais feitos de marfim, osso e até dentes humanos retirados de outros indivíduos. Esta prática primitiva antecipa a moderna implantologia, que hoje utiliza titânio em substituição das estruturas naturais.

    Os investigadores sugerem que estas técnicas eram reservadas para indivíduos de elevado estatuto social, indicando que a estética dentária já era valorizada há milhares de anos.

    pontes feitas em dentes or antigos egipcios
    Pontes feitas em dentes por antigos egípcios.

    “Pasta Dentífrica” Feita de Pedra-Pomes e Ovos

    Os egípcios preocupavam-se com a limpeza dos dentes e desenvolveram a primeira versão de pasta dentífrica conhecida. Segundo Brier & Wade (1997), análises a textos médicos antigos revelam que a receita incluía casca de ovo moída, pedra-pomes, cinzas de casca de nozes e mirra.

    Embora possa parecer rudimentar, algumas dessas substâncias ainda são utilizadas na odontologia moderna para polir dentes e remover manchas. Estudos na área da bioquímica demonstram que compostos abrasivos naturais eram eficazes na remoção da placa bacteriana sem causar desgaste excessivo ao esmalte.

    “Cirurgias” Dentárias e Alívio da Dor

    Os textos médicos egípcios mencionam procedimentos que envolviam abrir abcessos dentários para aliviar a dor. Embora primitivo, este método é semelhante à drenagem de infeções que os dentistas realizam atualmente.

    Para o alívio da dor, utilizavam opiáceos naturais derivados da papoila e infusões com ervas analgésicas como o aloé vera. O Papiro de Ebers refere o uso de ópio como analgésico, prática que precede os modernos anestésicos locais (Bardinet, 1995).

    Conclusão

    A medicina dentária egípcia era muito mais avançada do que se poderia imaginar. Algumas das técnicas usadas há milhares de anos foram redescobertas e aperfeiçoadas pela ciência moderna. Desde os primeiros implantes dentários aos elixires bucais naturais, os egípcios foram pioneiros no cuidado com os dentes.

    Por isso, se um dia achares que cuidar dos dentes dá demasiado trabalho, lembra-te: há mais de 3.000 anos, os egípcios já tinham essa preocupação – sem brocas elétricas nem anestesia!

    Referências Científicas

    • Bardinet, T. (1995). Les papyrus médicaux de l’Égypte pharaonique. Paris: Fayard.
    • Brier, B., & Wade, R. (1997). Ancient Egyptian Magic. New York: M. Evans & Co.
    • David, A. R., & Tapp, E. (1997). The Mummy’s Tale: The Scientific and Medical Investigation of Natron Mummies. London: British Museum Press.
    • Nunn, J. F. (2002). Ancient Egyptian Medicine. University of Oklahoma Press.
    • Zaki, S. A., et al. (2014). Evidence of Ancient Egyptian Dentistry: A Study on Dental Remains from Archaeological Sites. Journal of Archaeological Science, 48, 312-319.
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